Conceitos de dados espaciais

Guia · Capítulo 1 de 5

Vetor e raster, tipos de geometria, sistemas de coordenadas, SIRGAS 2000, escala e resolução.
Autor

Hendesson Alves

Publicado em

29 de outubro de 2026

Atualizado em

29 de outubro de 2026

Doi

Antes de baixar qualquer dado, vale entender o que ele é e onde estão as coordenadas. Esta página resume o mínimo necessário para o monitoramento ambiental.

Vetor e raster

Vetor Raster
O que é Formas descritas por coordenadas: pontos, linhas e polígonos Uma grade de células (pixels), cada uma com um valor
Exemplos no monitoramento Alertas DETER, desmatamento PRODES, limites de UCs, embargos, imóveis do CAR Imagens de satélite, mapas de uso e cobertura (MapBiomas), modelos de elevação
Atributos Uma tabela: cada forma tem colunas (data, classe, área…) Cada pixel tem um valor (refletância, classe, temperatura)
Onde brilha Contar, cruzar, medir áreas exatas, relacionar com cadastros Cobertura contínua, séries temporais, cálculos por pixel

Este guia trabalha principalmente com vetores, que o PostGIS manipula muito bem. Os mapas de alerta (DETER, PRODES) são produzidos a partir de imagens (raster) e entregues como polígonos (vetor).

Dois mapas lado a lado da mesma área. À esquerda, polígonos de desmatamento com bordas detalhadas. À direita, a mesma área representada por quadradinhos de cerca de 450 metros, com contorno em degraus.

Os mesmos alertas de desmatamento como vetor (polígonos) e como raster (grade de células).

Tipos de geometria

Tipo Exemplo
POINT / MULTIPOINT foco de calor, sede de um imóvel, ponto de coleta
LINESTRING / MULTILINESTRING rio, estrada, trilha
POLYGON / MULTIPOLYGON alerta de desmatamento, UC, área embargada

O prefixo MULTI indica uma feição com várias partes separadas, por exemplo uma UC com ilhas. Na prática, padronize polígonos como MULTIPOLYGON para evitar erros ao misturar os dois tipos.

Uma geometria escrita como texto, no formato WKT (Well-Known Text):

POINT(-55.38 -7.14)
POLYGON((-55.40 -7.10, -55.36 -7.10, -55.36 -7.14, -55.40 -7.14, -55.40 -7.10))

O primeiro número é a longitude (x) e o segundo, a latitude (y). O polígono termina no mesmo ponto em que começa.

Sistemas de coordenadas (SRC)

Um número como -55.38 só faz sentido se você souber em qual sistema ele está. Cada sistema tem um código EPSG (consulte em epsg.io).

Geográficos × projetados

Geográfico Projetado
Unidade graus (latitude e longitude) metros
Exemplo SIRGAS 2000 (EPSG:4674), WGS 84 (EPSG:4326) SIRGAS 2000 / UTM 21S (EPSG:31981), SIRGAS 2000 / Brazil Polyconic (EPSG:5880)
Bom para guardar e trocar dados; cobrir o país inteiro medir distâncias e áreas numa região; mapas impressos

Três mapas do Brasil. No SIRGAS 2000 geográfico, a grade de meridianos e paralelos é quadrada. No Pseudo-Mercator, a grade fica mais espaçada no sul e o Rio Grande do Sul parece maior. Na Policônica do Brasil, meridianos e paralelos são curvos e as proporções do país ficam mais próximas da realidade.

O Brasil em três sistemas de coordenadas, com a grade de meridianos e paralelos.

SIRGAS 2000

É o sistema de referência oficial do Brasil. INPE, MMA, IBAMA, IBGE e INCRA entregam seus dados nele, quase sempre em coordenadas geográficas (EPSG:4674). Para monitoramento, a diferença para o WGS 84 (usado por GPS e serviços globais) é pequena, menor que 1 metro, mas misturar os códigos causa avisos e reprojeções desnecessárias. Padronize tudo em 4674.

Quando usar cada um

Tarefa Recomendação
Guardar e cruzar dados do país EPSG:4674 (geográfico)
Área em hectares de um polígono ST_Area(geom::geography) no PostGIS: cálculo sobre o elipsoide, sem precisar reprojetar
Distância e buffer em metros ::geography no PostGIS, ou reprojetar para a zona UTM da região
Mapa do Brasil inteiro EPSG:5880 (Policônica do Brasil)
Mapa de uma região pequena a zona UTM correspondente (EPSG:31978 a 31985 cobrem as zonas 18S a 25S)
Mapas na web EPSG:3857 (Pseudo-Mercator) só para exibir; nunca para medir áreas
Aviso

O erro mais comum: calcular área ou distância em graus. ST_Area sobre EPSG:4674 devolve “graus quadrados”, um número sem sentido físico. O Módulo 3 mostra como fazer certo.

Quanto vale um grau?

Um grau de latitude tem cerca de 111 km em qualquer lugar. Um grau de longitude tem 111 km no equador e encolhe para o sul (cerca de 96 km a 30° S). Por isso, uma distância escrita em graus, como 0.0006, é só uma aproximação (cerca de 66 m perto do equador).

Escala, resolução e área mínima

  • Resolução espacial é o tamanho do pixel da imagem usada. Imagens de 30 m (Landsat) não enxergam uma clareira de 10 m.
  • Área mínima mapeável é o menor polígono que um sistema registra. Alertas abaixo do limite não aparecem, e isso não significa que não houve desmatamento.
  • Escala de um mapa vetorial indica o nível de detalhe com que as linhas foram desenhadas. Limites desenhados em 1:250.000 não servem para decidir se um ponto está a 10 m de uma divisa.
Nota

Ao cruzar camadas, o resultado nunca é mais preciso que a camada menos precisa. Um alerta de 30 m “encostando” num limite de UC desenhado em escala pequena pode estar dentro ou fora.

Tempo: data da imagem × data de publicação

Dados de monitoramento têm pelo menos duas datas:

  • data da observação (data da imagem de satélite: view_date no DETER, image_date no PRODES);
  • data de publicação (quando o dado entrou na base).

Para medir quando o desmatamento aconteceu, use a data da observação. Para saber o que estava disponível num certo dia (por exemplo, para avaliar a fiscalização), use a de publicação.

O PRODES usa o ano PRODES, de 1º de agosto a 31 de julho: o “PRODES 2025” cobre agosto de 2024 a julho de 2025.

Próximo passo

Formatos e serviços: em que arquivos esses dados chegam e como acessá-los pela internet.

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Licença

Como citar

BibTeX
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Por favor, cite este trabalho como:
Alves, Hendesson. 2026. Conceitos de dados espaciais. In Guia de dados espaciais para monitoramento ambiental. Hendesson Alves. https://doi.org/10.5281/zenodo.23780272.